Formação da Consciência
Espírita
Fundamentação
Evangélica
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos
libertará” (João, 8:32)
Fundamentação
Doutrinária
1. “ ‘780-a. Como o progresso
intelectual pode levar ao progresso moral?’
Fazendo que se compreenda o
bem e o mal; o homem, então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio
acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos” (KARDEC,
Allan. O Livro dos Espíritos. Trad.
Evandro Noleto Bezerra. FEB: Brasília, 2006, p. 473).
2. "Deus criou todos os Espíritos iguais, simples, inocentes, sem
vícios, e sem virtudes, mas com o livre arbítrio de regular suas ações segundo
um instinto que se chama consciência, e que lhes dá o poder de distinguir o bem
e o mal. Cada Espírito está destinado à mais alta perfeição junto a Deus e do
Cristo; para ali chegar, deve adquirir todos os conhecimentos pelo estudo de
todas as ciências, se iniciar em todas as verdades, se depurar pela prática de
todas as virtudes; ora, como essas qualidades superiores não podem ser obtidas
em uma única vida, todos devem percorrer várias existências para adquirir os
diferentes graus de saber" (KARDEC, Allan. Revista Espírita de 1862: Jornal de Estudos Psicológicos. Trad.
Evandro Noleto Bezerra. FEB: Brasília, 2004, p. 84)
3. “As atividades pedagógicas
do presente e do futuro terão de
se caracterizar pela sua feição evangélica e
espiritista, se quiserem colaborar no grandioso edifício do
progresso humano.
Os estudiosos do materialismo
não sabem que todos os seus estudos
se baseiam na transição e na morte. Todas as realidades da vida
se conservam inapreensíveis às suas faculdades sensoriais. Suas análises
objetivam somente a carne perecível. O corpo que estudam, a célula que
examinam, o corpo químico submetido à sua crítica minuciosa,
são acidentais e passageiros. Os materiais humanos postos sob os seus
olhos pertencem ao domínio das transformações, através do suposto
aniquilamento. Como poderá, pois, esse movimento de extravagância do
espírito humano presidir à formação da mentalidade geral que o futuro
requer, para a consecução dos seus projetos grandiosos de fraternidade e
de paz? A intelectualidade acadêmica está fechada no circulo da opinião
dos catedráticos, como a idéia religiosa está presa no cárcere dos dogmas
absurdos.
Os continuadores do Cristo,
nos tempos modernos, terão de marchar
contra esses gigantes, com a liberdade dos seus atas e das suas
idéias.
Por enquanto, todo o
nosso trabalho objetiva a formação da
mentalidade cristã, por excelência, mentalidade
purificada, livre dos preceitos e
preconceitos que impedem a marcha da
Humanidade. Formadas essas correntes de
pensadores esclarecidos do Evangelho, entraremos, então, no
ataque às obras. Os jornais educativos, as estações radiofônicas, os
centros de estudo, os clubes do pensamento evangélico, as assembléias da
palavra, o filme que ensina e
moraliza, tudo à base do sentimento
cristão, não constituem uma utopia dos nossos corações. Essas
obras que hoje surgem, vacilantes e indecisas no seio da
sociedade moderna, experimentando quase sempre um
fracasso temporário, indicam que a
mentalidade evangélica não se acha ainda
edificada. A andaimaria, porém, ai está, esperando o momento
final da grandiosa construção.
Toda a tarefa, no
momento, é formar o espírito genuinamente
cristão; terminado esse trabalho, os homens terão
atingido o dia luminoso da paz universal e da
concórdia de todos os corações”. (XAVIER, Francisco C. (Pelo Espírito Emmanuel). Emmanuel. 27. ed. 2. reimp. Rio de
Janeiro: FEB, 2010. Cap. 35, it. Necessidade da educação pura e simples, p. 236).
Objetivos
específicos:
1º) Conhecer a verdade, para
iluminar o caminho do homem, aumentando-lhe a liberdade e a responsabilidade,
conduzindo-o a uma mais livre e valiosa escolha no Bem.
2º) Agir virtuosamente, a fim
de conquistar o autodomínio da alma em
relação ao corpo, conduzindo-a à felicidade.
Ações propostas:
1º) O que
se deve fazer para conhecer a verdade?
O conhecimento da verdade
depende do exercício da contemplação.
Como se pode exercitar a
contemplação?
1.1.
Conhecer a si mesmo.
Aquele que deseja melhorar-se e extirpar de si
as más tendências, inicie por fazer um balancete dos valores morais, interrogando
diariamente a sua própria consciência, assim:
O que fiz eu hoje de bom ou
de mal?
Com que objetivo agi naquela
circunstância?
Qual a minha intenção em agir
daquela maneira para com aquele alguém?
Se uma outra pessoa tivesse
praticado a mesma ação, eu a teria censurado? Alguém tem algum motivo para se
queixar de mim?
Faltei eu com algum dever
para com Deus, para com o próximo ou para comigo mesmo?
O que dizem de mim os meus
inimigos?
Não são tais opiniões
bastante francas por não terem meus inimigos o interesse de disfarçar a verdade
em relação a mim?
Se Deus me chamasse hoje para
a vida no mundo dos espíritos, teria eu algo a temer?
O que provavelmente me espera
no além-túmulo em razão da qualidade de ações pelas quais terei eu de responder
perante o Tribunal da Justiça Divina?
Quais as tarefas que
empreendo eu hoje para o meu descanso na vida futura?
O que tenho eu feito da minha
existência biofísica para ajudar a Deus na obra da criação?
1.2.
Conheçer a vida e a obra dos Espíritos espíritas.
Se
pode fazer algo muito mais bem feito, se, antes, procurarmos conhecer o que os
outros fizeram a respeito, para depois imitá-los tal como eles o fizeram. Assim
como um músico precisa, antes, escutar várias vezes uma melodia, para somente
depois executar a partitura, nós precisamos conhecer vários exemplos de homens
sábios e bons, para podermos afinar o nosso Espírito no diapasão daqueles
modelos do Senhor.
Bezerra de Menezes
Joana D’arc
1.3. Construir
uma árvore das virtudes segundo o espiritismo e estuda-la, a fim de ter a
consciência moral pronta e expedita para agir ante a prova.
Fé
Esperança Caridade
Paciência e Coragem Humildade e
Beneficência
Resignação e Indulgência Diligência e Perseverança
Perdão e Devotamento Piedade e Benevolência
Afabilidade e
Doçura
1.4.
Fazer uma seleção bibliográfica com os clássicos do espiritismo, a fim de
formar uma base segura mediante a leitura de ensinamentos dos fiés obreiros do
Senhor.
1. Léon Denis
O Além e a Sobrevivência do Ser;
Depois da Morte;
O Problema do Ser, do Destino e da Dor;
Grande Enigma;
O Porquê da Vida;
Socialismo e Espiritismo; ...
2. Gabriel Delanne
A alma é imortal;
O espiritismo perante a ciência;
A Evolução Anímica;
O Fenômeno Espírita;
A Reencarnação;...
3.Paul Gibier
Análise das coisas;
O Espiritismo.
4. Camille Flammarion
As casas mal assombradas;
Deus na natureza;
O Fim do Mundo;
Narrações do Infinito; ...
5. Ernesto Bozzano
Animismo e Espiritismo;
A Crise da Morte;
Fenômenos psíquicos no Momento da Morte;
Metapsíquica Humana;
Pensamento e Vontade.
6. Obras ditadas por Espíritos diversos e psicografadas
por Francisco Cândido Xavier.
1.5.
Formar grupos de estudos científicos, filosóficos e religiosos, a fim de
cambiar conhecimentos teóricos e práticos sobre o Espiritismo e a Vida
Espírita.
2º) O que
se deve fazer para agir virtuosamente?
Para agir virtuosamente,
deve-se exercitar a boa ação.
Como se deve exercitar a boa
ação?
2.1.
Disfarçar o auxílio, dissimular o benefício, ocultando a mão que dá.
A verdadeira caridade é a
caridade modesta, sem ostentação, que evita a humilhação do beneficiado,
salvaguardando-lhe a dignidade e resguardando-lhe a suscetibilidade.
2.2.
Deixar oculto de terceiros o bem que você faz e pedir ao beneficiado que não
diga a terceiros o bem que você lhe fez.
A boa ação é aquela que você
pratica, evitando, tanto quanto possível, a divulgação. Deve-se agir como um
ser invisível, porque a prática das virtudes é uma forma de vida de foro íntimo
e, portanto, independente de se ser visto por alguém.
2.3.
Ir ao encontro dos infortúnios particulares.
A ação moral é aquela que
busca os problemas singulares e não aquela que espera os problemas gerais, de
forma que o impulso generoso não deve, passivamente, estar condicionado aos grandes
desastres, mas, antes, deve, ativamente, se dedicar à descoberta dos mais
pequenos problemas sociais.
2.4.
Intencionar a felicidade do outro.
A boa ação deve ser praticar
com a intenção de tornar feliz o outro e não a si mesmo. Se a ação vier a ser
pratica com a intenção de autobenefício, uma tal ação será menos virtuosa que
viciosa, porque nela há mais egoísmo que caridade.
2.5.
Tomar a ação moral por um fim e não por um meio para alcançar outro fim.
O fundamento da ação moral
deve ser sempre a própria ação moral ela mesma. Eis a reflexividade da ação
moral: o dever deve ser cumprido pelo dever, significando dizer que a razão de
ser do comportamento moral não é nada diferente que o bem agir enquanto tal.
Então, deve-se salvar uma
criança porque simplesmente eu a devo salvar, independentemente do que dizem a
Política, o Direito, a Família, os Costumes.
2.6.
Dar do supérfluo a quem falta o necessário e, tanto quanto possível, limitar o
próprio necessário em prol dos que nada têm.
Toda abnegação é expressão
caridosa. Mas, a ação moral será tanto mais valiosa quanto maior for a
autolimitação em benefício do outro.
2.7. Educar
o desejo para gostar do permitido e educar a vontade para querer o dever,
segundo as leis morais.
Os desejos inferiores devem
constituir objeto de reforma prática, de modo a serem substituídos por desejos
sublimes à luz do permitido.
Inicie
operando uma análise do que é permitido ou proibido para a saúde do corpo,
segundo as leis da ciência e depois faça uma análise do que é permitido e
proibido para a saúde do Espírito, segundo as leis da consciência.
Se,
ainda assim, teus desejos forem inferiores, isto é, ainda que continues a
gostar do que é proibido física e espiritualmente, inicie a educação da vontade
para querer a reforma à luz do dever.
Desenvolva
sua vontade no sentido do dever, ainda que não gostes. Aos poucos, o fato de
você querer o dever acaba por te conduzir ao gostar do dever. E, mais tarde, o
hábito de querer a boa ação já te terá feito gostar de praticá-la, quando então
verás que abandonastes os desejos inferiores e que em ti, agora, predominam os
desejos sublimes do amor.
2.8. Distribuir o exercício das virtudes ao
longo dos semestres anuais.
Em
cada semestre do ano, escolha uma virtude para a qual você se comprometa a
voltar predominantemente a sua atenção.
É claro que isso não deve
significar o não exercício das demais virtudes, acaso surjam oportunidades de
exercê-las e você saiba como agir em tal situação, mas que este método de
escolha enfática de uma virtude sirva para te conduzir, pouco a pouco, a uma
maior intimidade com cada uma das qualidades morais, naquele período durante o
qual tu te comprometestes a atentar mais enfaticamente para uma delas.
Não alimentes a
procrastinação. Não deixe a tarefa para depois. O quanto antes, faça um
planejamento, traçando metas e métodos de alcançar tais metas.
Faça assim: primeiro tente
encontrar um de seus defeitos, como por exemplo a luxúria; depois ponha a
reforma desse vício como objetivo daquele semestre; e por fim trace os meios
através dos quais você poderá alcançar esse objetivo. O primeiro meio é o
estudo da virtude que se contrapõe ao vício em reforma, que, no caso, é a
temperança. No estudo sobre a temperança você verá que se trata daquela
qualidade moral de moderar o gozo dos bens e serviços que a sociedade
capitalista te oferece. Depois de uma visão clara e distinta sobre a
temperança, inicie a prática dessa virtude. Pergunte-se: para que eu preciso de
um carro? Para a locomoção. Preciso eu de um carro de luxo ou de um popular?
Use o conhecimento sobre a temperança para responder. Alem do mais,
pergunte-se: Para que eu preciso de vestimentas? Para compor meu corpo para as
tarefas sociais. Mas, quantos corpos eu tenho? Um só. Preciso eu comprar várias
vestimentas mensalmente ou anualmente? Use a temperança e aja virtuosamente.
Ademais, pergunte-se: Para que eu preciso de uma habitação? Para morar de
maneira confortável e segura. Quanto eu preciso gastar para morar de maneira
confortável e segura? A temperança te ajudará nessa resposta.
Faça isso também em relação
à:
Fé: Fé na vida futura; Fé na
justiça de Deus:
Tolerância para com os erros dos
outros:
Coragem diante das
dificuldades
Sabedoria nas decisões pelo
bem em detrimento do mal
Justiça de dar ao outro o que
é dele
Beneficência de dar ao outro
o que é seu
Enfim, trabalhe uma virtude
em cada semestre do ano, porque somente o esforço no exercício das virtudes
fará de ti um homem virtuoso.
2.9. Ter a correta noção de que o ambiente de
desenvolvimento moral é o espaço de experiência em geral.
Todo
lugar é espaço sagrado à prática das virtudes e, portanto, local de
desenvolvimento moral.
O
âmbito familiar, o âmbito religioso, o âmbito educacional e profissional,
enfim, o âmbito social em geral é espaço de experiência, no qual podemos
desenvolver nossas qualidades morais.
Então,
um pai colérico, um colega invejoso, um chefe amargo, todas essas são provas
verdadeiramente preciosas para, no presente, superarmo-nos a nós mesmos,
alcançando níveis mais profundos de moralidade no futuro.
2.10. Fazer da boa ação um alimento espiritual
diário.
Da
mesma forma como o corpo precisa de alimento para manter-se firme, habitue-se a
alimentar seu espírito com os valores morais, sem os quais ele pode vir a
adoecer.
Assim,
com o mesmo cuidado de alimentação que tratamos o nosso corpo, que tratemos o
nosso Espírito com uma nutrição moral bem balanceada.
