1) Doutrinação de encarnados, pelo estudo da Doutrina Espírita e do Evangelho do Cristo, afim de que, desencarnados, não precisem aparecer às sessões mediúnicas para serem doutrinados. Às vezes, depois de obsessões...
O estudo gera a sabedoria e o conhecimento. Ambos engendram o amor fraterno, sem subserviências e servilismos.
"Amai-vos, eis vosso primeiro dever. Instruí-vos, eis o segundo", aconselha, grosando lições do Evangelho, uma voz autorizada do Além.
2) Socialização do Espiritismo por força de movimentos confraternativos.
Obra de pura sociabilidade cristã, em nome do Espiritismo, é tudo o que arrasta muito espírita do seu comodismo, do exclusivismo de seu centro ou de seu meio espírita, para fraternizar com seus irmãos através de movimentos constantes de aproximação, de visitas de confraternização, de semanas espíritas organizadas, de congressos, etc., etc.
"Que vos ameis uns aos outros, pois só assim provareis que sois meus discípulos", disse o Cristo.
E os Espíritos de luz andam dizendo que os espíritas são os cristãos modernos.
Ora, todo movimento de aproximação implica incentivos para os espíritas se conhecerem melhor, para melhormente se amarem...
3) Jornadas e excursões de propaganda, num "Ide e Pragai", à medida das possibilidades de cada um.
Levar palavras de conforto e de fé, com a nossa presença, a irmãos distantes, vale por apreciável transfusão de energias e de vitalidade aos visitados.
4) Restauração da alegria cristã. Alegria de crer e de viver.
"Paz e alegria", era a norma de tratamento entre os cristãos primitivos. Só por isso, a Doutrina Cristã e o Espiritismo não devem permitir ambientes de câmaras mortuárias.
Para eminente filósofo, entre os crimes que a Igreja de Roma cometeu, um dos maiores foi o de ter extirpado a alegria da Doutrina do Cristo.
5) Amparar, por todos os meios, a criança.
O amparo cristão conferido à criança, em nome do Espiritismo, além de preparar futuras gerações espíritas, é serviço prestado à Doutrina, à sociedade, à pátria, à humanidade, quer no presente, quer no futuro.
6) Atrair a juventude, transmitindo-lhe consciência religiosa, espirítica.
Cuidar, a sério, da formação de "Juventudes Espíritas organizadas", é cuidar de nossos substitutos, talvez com maior preparação cristã.
Não há de ser programas pesados e soturnos, a estudos e conferências maçudas, a trabalhos mediúnicos, somente, que se poderá interessar a infância e a juventude na Doutrina.
A arte, a literatura, a alegria cristã, as festas sem caráter profano são para tanto indispensáveis.
7) Propaganda pela arte.
As letras, as belas artes, o teatro e a alegria cristã a serviço da propaganda do Espiritismo, são de resultados magníficos. Mormente para interessar as crianças, os jovens, as mulheres, interessando, ainda, a espíritas e não espíritas, a gregos e a troianos.
8) Obras de assistência a necessitados, de toda sorte.
Distribuir recursos e conforto material ou moral a necessitados é, certamente, trabalho mais proveitoso do que a distribuição de palavras e orações, somente.
Se é, de resto, o bem que salva, como acentua o Cristo na parábola do Bom Samaritano; se a lei é "fora da caridade não há salvação", é claro que são as obras e não o rótulo religioso, as pregações e não as práticas ritualísticas, que aproveitam para a salvação.
9) Libertar o Espiritismo do mediunismo exclusivista, sem expressão doutrinária e cristã, que procura condicionar a ele, exclusivamente, as finalidades da Doutrina.
A mediunidade bem dirigida é a maior força do Espiritismo.
Mal orientada, a maior fonte de descréditos.
Nem o Espiritismo é mediunidade somente.
E sempre que houver de nossa parte, abdicação do bom senso e do raciocínio, da razão e do livre-arbítrio, do senso crítico e do discernimento na aceitação de tudo que nos vem com o nome de comunicação de espíritos; sempre que nos esquecermos de que "é preferível recusar 99 comunicações verdadeiras a aceitar uma falsa", como aconselha o codificador; que olvidarmos "não devemos crer em todos os espíritos, mas somente naqueles que vêm de Deus", na advertência de João, o Evangelista, claro que estamos abastardando a mediunidade e o próprio Espiritismo.
10) Preparar os vivos para que não esperem dos mortos aquilo que podem realizar, nem os consultem sobre aquilo que cada um pode resolver com a inteligência que Deus lhe deu.
Não será diminuir-nos e ofender a Divindade, o andarmos a consultar os mortos sobre tudo e a propósito de tudo?
Nós assim o cremos. Se Deus nos deu razão, inteligência, raciocínio e bom senso, foi para que os empregássemos "no exame livre de tudo, para aceitarmos o que for bom", a conselho de Paulo.
*
Não cremos que haja um espírita-cristão, consciente e esclarecido, que se oponha, com pureza de sentimentos e desejos de bem servir à Doutrina, ao que aí se contém.
Cremos, entretanto, que haja um ou outro que, bem intencionado discorde, cristãmente, serenamente, de um ou outro ponto. Talvez, até, por não haver apanhado bem nosso pensamento.
Ao dispor, desses irmãos para outros esclarecimentos.
Fonte: MACHADO, Leopoldo. Cruzada do Espiritismo de Vivos. Matão: Empresa Editora "O Clarim", 1948. "Decálogo do Espiritismo de Vivos".
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